Será que falar Inglês aumenta o teu salário?

inglês aumenta o teu salário
Será que falar Inglês aumenta o teu salário?

 

Esta é uma das perguntas mais pesquisadas da actualidade e, dos vários artigos sobre tema, muitos afirmam que os profissionais que dominam o Inglês têm salários maiores. Alguns indicam mesmo que existem aumentos de 70% ou mais na remuneração de quem é fluente no idioma. Mas será mesmo que quem fala a língua inglesa ganha mais?

 

Bem, em vez de ficar no “achismo” e acabar por assumir o óbvio, preferimos olhar para dados concretos para partilhar contigo algumas conclusões de pesquisas feitas nos últimos anos e que te podem surpreender.

 

O English at Work, um estudo do Cambridge English de 2016, mostrou que em todas as indústrias existe uma falha entre as competências de Inglês exigidas e as competências reais que cada colaborador tem para desempenhar a sua função com sucesso. Segundo o relatório, esta diferença era, globalmente, de pelo menos 40%, mas a verdade é que pode ser maior, dependendo do país, da indústria e do tamanho da empresa.

 

O número de colaboradores com Inglês suficiente para desenvolver com sucesso as suas tarefas profissionais é menor do que o desejado pela entidade empregadora.

 

É fácil ver isso quando comparamos, por exemplo, Portugal e Brasil ao longo dos vários sectores de negócio. Seria interessante ver também dados relativos a Angola, ou outros países de língua oficial portuguesa, mas infelizmente não foram alvo deste estudo.

 

inglês e desempenho profissional
Fig. 1 – Percentagem de colaboradores que têm as competências de Inglês necessárias para a função (fonte: englishatwork.cambridgeenglish.org)

Porque é que é importante falar deste gap entre o Inglês exigido pelas empresas e o Inglês real demonstrado pelos colaboradores?

 

Por princípio, quanto maior for esta lacuna, maior é também o aumento salarial oferecido a quem é fluente no idioma. É a lei da oferta e da procura a trabalhar na sua forma mais óbvia e simples. Se, por exemplo, o teu foco está numa carreira em RH ou em Logística e Distribuição, onde o gap em Inglês é maior, a tua fluência em Inglês será muito mais valorizada porque existem menos pessoas com o Inglês necessário para desempenhar a função que lhes compete.

 

Então isto significa que se estiveres numa posição de gestão de topo (“top management”), em que o gap é menor, o Inglês não vai ser valorizado? Não necessariamente. Mas provavemente o impacto do Inglês no teu salário será menor. Até porque, quando chegas a uma posição na C-suite (CEO, CFO, CMO e por aí em diante), há muitas outras nuances em jogo.

 

Como gestão de topo, a “competição” interna fica muito reduzida e às vezes é mesmo inexistente. Não há muito mais por onde crescer na hierarquia corporativa, afinal… já chegaste ao topo. O universo de comparação e referência torna-se muito menor. Por outro lado, até há pouco tempo atrás, não se exigia à gestão de topo funções que implicassem grande fluência em Inglês – e estas eram (e ainda são) facilmente delegadas à gestão intermédia, que apresenta geralmente um melhor domínio de Inglês.

nível de Inglês exigido para cada tarefa
Fig. 2 – Nível de Inglês exigido pelas empresas para tarefas profissionais (fonte: englishatwork.cambridgeenglish.org)

 

Mas essa pesquisa do Cambridge English foi em 2016. O que aconteceu desde então e que diferenças relevantes estes quatro anos trouxeram para o cenário?

 

No seu mais recente relatório da pesquisa que publica anualmente, a Education First lança algumas conclusões que reforçam a ideia de que muitos profissionais continuam sem ter domínio da língua inglesa suficiente para serem produtivos nos seus actuais papéis ou para evoluirem para novas funções. Isto abre muitas oportunidades para quem fala Inglês e quer crescer nas áreas com lacunas (no quadro abaixo, a amarelo e vermelho).

 

nível de inglês por área e função
Fig. 3 – Nível de Inglês por área e função (fonte: www.ef.edu.pt/epi)

 

O English Proficiency Index (EPI) realça o papel-chave dos responsáveis de formação e desenvolvimento na gestão estratégica das competências de Inglês requeridas para cada função e para cada colaborador.

 

Mas, por outro lado, o futuro do trabalho está a mudar a um ritmo vertiginoso, com novos modelos, novas formas de organização e de ambiente de trabalho, impulsionados pela tecnologia digital e acelerados este ano pelos enormes desafios de uma realidade que muitos julgavam impensável trazida pela pandemia. Se ainda és dos que se pergunta o que é que isto tem a ver com o Inglês, repensa.

 

O Inglês é, por definição, a língua da tecnologia e da inovação. Com temas como data science, artificial intelligence, automationmachine learning a serem cada vez mais banais em conversas diárias, nós podemos até não saber bem o que o futuro nos reserva, mas sabemos que o Inglês vai estar lá envolvido.

Dominar a língua inglesa impacta sim o crescimento da tua carreira. Mas lembra-te que o sucesso profissional não é só sobre o salário

 

Existem outros benefícios profissionais trazidos por uma maior fluência na actual lingua franca dos negócios. A pesquisa do Cambridge English revelou que cerca de 50% dos empregadores oferece um pacote inicial bem mais atractivo para candidatos com um bom nível de Inglês, principalmente em países que utilizam o Inglês como língua não-nativa. Normalmente, este início já acaba por colocar quem é fluente numa posição de vantagem para aceder a uma mais rápida progressão na carreira e, consequentemente, a maiores ganhos salariais.

benefícios que as empresas oferecem a quem é fluente em Inglês
Fig. 4 – Benefícios oferecidos pelas empresas a quem é fluente em Inglês

 

Quando o teu foco está apenas na quantia no teu recibo de vencimento, perdes de vista os outros ganhos mais qualitativos resultantes de falar uma língua internacional. Muitas vezes, não são os benefícios quantitativos que te vão projectar mais longe em termos profissionais, mas sim as portas que o domínio do Inglês te abre para um mundo de possibilidades infinitamente maiores do que aumentar o teu salário.

 

Partilha connosco, que portas gostarias que o Inglês abrisse na tua carreira?

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